Os escritórios de projetos de estruturas,  não faz muito tempo, recebiam as plantas de arquitetura em cópias heliográficas, extraídas dos originais  desenhados a nanquim em papel vegetal.

O trabalho inicial, de concepção e lançamento da estrutura, estudo inicial das formas, era feito em papel manteiga (vegetal de baixa gramatura).

PLANTA ARQUITETÔNICA EM CÓPIA HELIOGRÁFICA

FIGURA 1 – PLANTA ARQUITETÔNICA EM CÓPIA HELIOGRÁFICA

 

A transparência do papel permitia que, ao lançar os pilares com a planta heliográfica de arquitetura embaixo, pudéssemos transportar rapidamente tal lançamento, das primeiras peças estruturais (pilares), para os demais pavimentos da arquitetura e visualizar as eventuais interferências.Normalmente os pilares, na planta de formas, eram pintados (por trás do papel) de verde, cor que saía representada de melhor forma como seção cheia (em corte) na cópia heliográfica.

O fluxo de trabalho evoluiu para o CAD, onde o “papel manteiga” virou “layers”.

Os desenhos recebidos da arquitetura, em CAD, eram “tratados” e colocados em em layers com cores esmaecidas, para que as peças estruturais pudessem ficar realçadas no contexto de estudo de formas da estrutura/arquitetura.

A plotagem, primeiro em papel vegetal, continuou a exigir as cópias heliográficas que depois foram totalmente eliminadas pela facilidade e redução de preço das cópias (plotagens) em papel sulfite.

ARQUIVO USANDO A TECNOLOGIA CAD

FIGURA 2 – ARQUIVO USANDO A TECNOLOGIA CAD

 

Hoje, “plotagens virtuais” (em arquivos digitais tipo pdf, por exemplo), já fornecidas com as espessuras de linhas e cores que cada projeto exige para perfeita compreensão, permanecem armazenadas na “nuvem”, possibilitando uma quantidade de cópias ilimitadas e em qualquer formato, além de possibilitarem rápidas visualizações em computadores, tablets e até em smartphones.

Atualmente, a arquitetura recebida em processo de projeto utilizando o conceito BIM, já se encontra em um modelo tridimensional e, assim, a melhor forma de lançar a estrutura é também usar os mesmos recursos, criando um anteprojeto diretamente em terceira dimensão, pois os programas possuem ferramentas de precisão para facilitar tal fluxo de trabalho, além de uma infinidade de possibilidades de visualização e controle do modelo.

 

Exemplo de Workflow Estrutural BIM

1. O lançamento das peças estruturais (pilares, vigas, lajes, etc) fica muito facilitado pela capacidade de visualização da arquitetura através de vários tipos de representações possíveis, como, por exemplo, em um modelo simplificado de “linhas em 3D” (abaixo) ou por um modelo mais sólido e com transparências em qualquer elemento (paredes, pisos, etc) – imagem abaixo – ressaltando as peças estruturais.

ESTRUTURA LANÇADA NO REVIT

FIGURA 3 – ESTRUTURA LANÇADA NO REVIT SOBRE ARQUITETURA EM VISUALIZAÇÃO SIMPLIFICADA (LINHAS EM 3D)

 

2. Qualquer nível (pavimento) da edificação pode ser “visitado” com facilidade, e assim, as interferências entre as disciplinas podem ser visualizadas logo no lançamento das peças estruturais.

MODELO DO CONJUNTO ESTRUTURA/ARQUITETURA

FIGURA 4 – MODELO DO CONJUNTO ESTRUTURA/ARQUITETURA COM TRANSPARÊNCIAS (REVIT)

 

3. Após o lançamento das peças estruturais do anteprojeto estrutural no próprio Revit, um plugin faz o trabalho de enviar para o programa de cálculo o modelo (aqui trabalhamos com o TQS).

MODELO ESTRUTURAL NO REVIT

FIGURA 5 – MODELO ESTRUTURAL NO REVIT PRONTO PARA SER EXPORTADO PARA O TQS (ESQUERDA) E MODELO ESTRUTURAL JÁ IMPORTADO NO TQS (DIREITA)

 

4. Já no programa TQS (imagem abaixo, à esquerda), identificamos as peças estruturais (numeração), colocamos as cargas atuantes e demais procedimentos para validação ou correção do modelo, incluindo os cálculos e detalhamento das armações das peças estruturais.

IDENTIFICAÇÃO DAS PEÇAS ESTRUTURAIS E LANÇAMENTO DE CARGAS

FIGURA 6 – IDENTIFICAÇÃO DAS PEÇAS ESTRUTURAIS E LANÇAMENTO DE CARGAS NO TQS (ESQUERDA) E IMPORTADO DO TQS O MODELO RECEBE TRATAMENTO GRÁFICO NO REVIT (DIREITA)

 

5. Logo após a validação do modelo, o TQS, através do mesmo plugin o envia de volta ao Revit, para que os acabamentos gráficos nas formas sejam executados (imagem acima, à direita). Nesta fase, recebemos o arquivo do TQS, preparado pelo plugin, através de um template que já contém todas as formatações para as representações gráficas padrões de nosso escritório, além do tratamento para os demais parâmetros dos objetos (peças estruturais) vindas do programa de cálculo, que são reconhecidas como famílias do Revit (a grande “mágica” do plugin da TQS), com informações necessárias para os demais processos BIM.

LA MÁGICA

FIGURA 7 – LA MÁGICA

 

O resultado final, depois de metodologias semelhantes com todas as demais disciplinas e não somente entre a estrutura e a arquitetura é, sem dúvida, impressionante, elevando muito a qualidade do projeto como um todo, pois as interferências são todas identificadas em projeto, sem que se transfiram problemas para a execução das obras.
Os profissionais envolvidos nas diversas disciplinas, interagem cada vez mais e passam a incorporar em seus repertórios soluções encontradas por outros colegas de outras especialidades. Esta foi uma das partes mais prazerosa em todo o processo, pois sentimos não só a fantástica evolução das ferramentas de projeto, mas também a evolução de nosso próprio conhecimento geral necessário aos projetos das edificações.

MODELO DA ESTRUTURA COMPLETO

FIGURA 8 – MODELO DA ESTRUTURA COMPLETO NO REVIT COM AS INFORMAÇÕES PARA OS DEMAIS PROCESSOS BIM (ESQUERDA), MODELO RECEBE OS PROJETOS DAS DEMAIS DISCIPLINAS E SÃO ESTUDADAS AS ÚLTIMAS INTERFERÊNCIAS (DIREITA) E MODELO FINAL CONTENDO TODAS AS DISCIPLINAS E INFORMAÇÕES PERTINENTES (CENTRO).